A empresa dinamarquesa The Mobile Robot Company vence o IFOY Awards 2026 na categoria ” Industrial Truck of the Year ” com uma transpaleteira autônoma projetada para apoiar os operadores de armazém, não para substituí-los
Em armazéns e fábricas, uma parte essencial do trabalho que mantém as mercadorias em movimento ainda é medida em etapas. As mesmas rotas, as mesmas cargas, os mesmos trajetos repetidos inúmeras vezes ao longo do dia. Há anos a automação promete aliviar esse esforço, mas muitas vezes o faz com uma condição difícil de aceitar para muitas empresas: projetos longos, integrações complexas, infraestrutura fixa e sistemas projetados como se o objetivo final fosse remover as pessoas do processo.
Na edição deste ano do IFOY Awards, um dos mais importantes reconhecimentos da intralogística internacional, o prêmio de ” Industrial Truck of the Year” foi para um conceito único. A Mobile Robot Company, uma jovem startup dinamarquesa de robótica, conquistou o título de 2026 com a J1600, uma transpaleteira autônoma projetada para operar sob controle humano.
Essa decisão coloca a colaboração entre humanos e robôs no centro de uma transformação mais ampla na automação de armazéns. Em vez de obrigar as empresas a escolher entre processos totalmente manuais e sistemas completamente automatizados, a J1600 propõe um caminho intermediário: o operador mantém o controle das tarefas que exigem discernimento, experiência e adaptabilidade, enquanto o robô realiza movimentos repetitivos entre pontos.
Na prática, o operador pode pegar manualmente um palete, selecionar um destino na tela sensível ao toque e enviar a transpaleteira para concluir o transporte de forma autônoma. A pessoa decide. A máquina percorre o trajeto.
A diferença é significativa em um mercado onde a movimentação manual de paletes ainda é a norma. De acordo com o relatório IFOY Innovation Check dedicado à J1600, apenas cerca de 1% da movimentação de paletes é atualmente automatizada, apesar de mais de um milhão de transpaleteiras serem vendidas anualmente em todo o mundo. Para os 99% restantes, a questão imediata não é se um armazém poderá um dia se tornar uma instalação totalmente autônoma. A questão é se a automação pode ser introduzida sem tirar o controle das pessoas que mantêm as operações diárias.
“O setor muitas vezes tratou a automação como uma decisão de tudo ou nada”, afirma Emil Hauch Jensen, CEO da The Mobile Robot Company. “Nossa visão desde o início foi diferente. Queríamos devolver aos operadores de armazém tempo, energia e controle, e não pedir às empresas que redesenhassem completamente a forma como trabalham.”
A J1600 pode ser usada como uma transpaleteira elétrica convencional ou alternada para o modo autônomo, a critério do operador. Foi projetada para transportar paletes no nível do solo em armazéns, áreas de produção, recebimento, armazenamento e expedição. É capaz de transportar cargas de até 1.600 kg, utiliza navegação 3D LiDAR SLAM e permite criar novos destinos dirigindo o veículo até um local e pressionando “Save Location” na tela sensível ao toque.
Essa simplicidade foi um elemento-chave na avaliação do IFOY. O robô não exige integração complexa de TI, o Wi-Fi é opcional e o treinamento do operador pode ser concluído em aproximadamente 30 minutos. Em fluxos de transporte repetitivos, a empresa afirma que o sistema pode reduzir o trabalho manual em até 80%, permitindo que os funcionários continuem controlando as manobras mais delicadas com paletes enquanto o robô realiza os deslocamentos.
O IFOY Innovation Check descreveu a J1600 como um “divisor de águas” para a automação de fácil implementação em intralogística. Os avaliadores destacaram a combinação de desempenho industrial, inteligência embarcada e operação intuitiva. O júri valorizou particularmente o conceito de modo duplo, que oferece maior flexibilidade aos usuários e reduz a complexidade de adoção da robótica móvel.
Na categoria “Industrial Truck”, a The Mobile Robot Company competiu com alguns dos nomes mais consagrados no setor de movimentação de materiais industriais, incluindo a STILL, parte do grupo KION, e a Crown. Diante de empresas com décadas de presença no mercado, redes de serviços globais e grandes orçamentos de engenharia, a startup dinamarquesa venceu ao se concentrar em um problema que muitas pequenas e médias empresas ainda enfrentam diariamente: automatizar processos reais, dinâmicos e imperfeitos sem transformar o próprio projeto de automação o maior obstáculo.
“Esta é, antes de tudo, uma história de startup”, destaca Jensen. “Os maiores players deste setor possuem organizações comerciais globais, longa trajetória e enormes recursos de desenvolvimento. Nossa entrada no mercado se deu pela solução de um problema que os clientes ainda enfrentam todos os dias: como levar a automação para armazéns e ambientes de produção reais sem tornar o projeto complexo, caro e arriscado.”
Essa filosofia moldou o design do produto desde o início. A J1600 não exige que os operadores se tornem programadores de robôs. Ensinar ao sistema uma nova tarefa é projetado para simular sua execução apenas uma vez: conduzir a empilhadeira até o destino, salvar a localização e, em seguida, usá-la para futuras viagens autônomas. Se algo inesperado acontecer, o operador pode retomar o controle manual a qualquer momento.
O IFOY Award representa agora uma validação independente dessa filosofia de desenvolvimento. O International Intralogistics and Forklift Truck of the Year Award é considerado um dos principais prêmios de tecnologia em intralogística do mundo. Em 2016, 49 produtos e soluções foram submetidos à competição, dos quais 17 finalistas se qualificaram para a fase final e participaram do processo de auditoria do IFOY durante o INTRALOGISTICS TEST CAMP realizado em abril.
Para a The Mobile Robot Company, o prêmio chega após um primeiro capítulo excepcionalmente rápido. Fundada em novembro de 2024 por Emil Hauch Jensen e Odin Kudahl Skovsted, a empresa lançou a J1600 em janeiro de 2026 e já estabeleceu acordos de distribuição em oito países. Seu foco está em soluções práticas de robótica móvel para movimentação interna de materiais, particularmente em operações onde o custo, a complexidade e a rigidez da automação tradicional mantiveram os processos manuais por muito tempo.



